Confira a história de uma das maiores paixões catalanas: o Clube Recreativo e Atlético Catalano – CRAC
Acredita-se que a paixão catalana pela equipe de futebol da cidade surgiu com as acirradas disputas entre o time do Senac, que mais tarde veio se chamar Catalão F.C e o CRAC. Em1959 foi inaugurado o estádio Genervino Evangelista da Fonseca as partidas ficaram ainda mais interessantes. A cidade se dividia entre estas duas equipes e a transformava numa paixão fervorosa nos dias que antecediam os famosos jogos entre Catalão F.C e CRAC.
O CRAC foi oficialmente fundado em 13 de julho de 1931 para representar o município nas competições esportivas regional, estadual e nacional. No início disputava apenas torneios da cidade e alguns regionais, principalmente envolvendo as cidades de Araguari, Uberlândia e Uberaba. Em 1965 foi campeão da Segunda Divisão, invicto, com a seguinte formação: Nego, Pereco, Lázaro, Luiz Carlos, Silvio Salomão, Macaúba, Edir, Dezoito, Zé Tavares, Hosana e Zinho. O técnico era o Marambaia.
Para manter este time profissional a diretoria pedia auxílio à comunidade. Algo muito difícil na época, pois a cidade ainda não tinha a paixão fortalecida. Criaram uma loteria (semelhante a esportiva) com 5 jogos e quem fizesse mais pontos passava na “Construtora” do diretor Osires Pimentel Ulhôa e levava para casa o prêmio.
Algumas histórias são contadas pelos mais antigos, como a de que o time de 1965 era tão bom que na preleção, o técnico Marambaia não passava orientação técnica alguma, apenas dizia: “Meninos, hoje o jogo é duro. Nossa Senhora Aparecida que os proteja. Vamos lá!!!”
Ou como dizia o ex-auxiliar da tesouraria, João Cardoso de Carvalho, que chegava até o Hotel Matriz, na Praça da Velha Matriz, bem cedinho, no domingo, dia do jogo, para conversar com o árbitro, pedindo que ele fosse imparcial. Mas, que poderia ser parcial se quisesse: “Os mais bravos eram os mais baratos”, dizia João Cardoso.
Em 1967, dois anos após entrar na divisão de elite goiana e um ano após o primeiro título do Goiás EC, o CRAC sagrou-se campeão goiano da primeira divisão.
Foi no dia 25 de novembro de 1967 em pleno estádio Antônio Accioly. Um sábado à tarde, com a maior renda já vista até então num jogo de futebol no estado de Goiás. A diretoria do CRAC tentou de toda maneira transferir o jogo para o Estádio Olímpico, mas o Atlético não aceitou. O CRAC entrou em campo e venceu com Nego, Silvio Salomão, Gato, Dema e Luiz Carlos. Lázaro e Dezoite. Claudinho, Toró, Toninho Índio e Wagner. Além desses atletas, outros como: Recife e Bira tiveram boas atuações.
O gol foi marcado pelo ponta esquerda Wagner aos 18 minutos. Daí pra frente houve muita pressão do time Atleticano, mas o Leão do Sul manteve o placar. A equipe era comandada pelo técnico Odair Tito. O time campeão de 1965 (Segunda Divisão) e o de 1967 (Primeira Divisão) foi praticamente mantido durante 5 anos.
Um acontecimento marcante se deu num jogo entre CRAC 1 x 0 Atlético Goianiense (Campeonato de 1968), quando o juiz da partida autorizou a saída de bola e o atleta Claudão (Cláudio Vitor) chutou diretamente ao gol, fazendo talvez (naquela época não havia filmagens para poder cronometrar corretamente o lance) o gol mais rápido do mundo. O goleiro do Atlético estava fazendo aquecimento na linha da grande área e não deu tempo de voltar para a meta. Foram apenas 2 toques e na súmula, o tempo de 6 segundos. Acredita-se, pelas dimensões do “Genervino” e pela rapidez, que o tempo gasto seria de no máximo 6 segundos.
Foram 18 jogos, sendo 9 vitórias, 6 empates e apenas 3 derrotas. Toninho Índio foi artilheiro do campeonato no ano de 1967 com 17 gols. Terminado o jogo a cidade de Catalão ficou toda empolgada. As pessoas se abraçavam, corriam pelas ruas e quando finalmente a equipe campeã chegou à cidade houve uma comemoração tão vibrante como nunca se viu até então. Nem mesmo o famoso torcedor atleticano “respeita as cores vagabundo”, conseguiu segurar a força do CRAC em pleno estádio Antônio Accioly
Campanha de 1967
1° Turno 09/08/67 (fora) CRAC 3 x 0 Ipiranga 13/08/67 (casa) CRAC 1 x 1 Vila Nova 20/08/67 (casa) CRAC 4 x 1 Atlético 27/08/67 (casa) CRAC 1 x 1 Goiânia 02/09/67 (fora) CRAC 1 x 1 Inhumas 06/09/67 (fora) CRAC 0 x 0 Goiás 09/09/67 (fora) CRAC 1 x 2 Anápolis 23/09/67 (fora) CRAC 2 x 1 Ceres 01/10/67 (casa) CRAC 2 x 1 Anapolina
2° Turno 08/10/67 (casa) CRAC 2 x 1 Inhumas 11/10/67 (casa) CRAC 1 x 0 Anapolina 15/10/67 (casa) CRAC 1 x 0 Ipiranga 22/10/67 (casa) CRAC 0 x 0 Ceres 29/10/67 (fora) CRAC 1 x 0 Vila Nova 05/11/67 (fora) CRAC 1 x 1 Goiás 12/11/67 (fora) CRAC 1 x 2 Goiânia 19/11/67 (casa) CRAC 1 x 2 Anápolis 25/11/67 (fora) CRAC 1 x 0 Atlético
O CRAC foi campeão da 2ª Divisão nos anos de 1965, 1986, 2001, 2003 e vice-campeão em 1969 e 1997.
2004: CRAC - Bicampeão Goiano
Muitos eventos foram registrados para o Leão do Sul ao longo de sua história, contudo, nada foi tão marcante para os torcedores quanto o Bicampeonato conquistado em 2004. Determinação, planejamento e organização foram características marcantes do trabalho feito pela diretoria, comissão técnica e jogadores, culminando na conquista do título mais querido pelos torcedores.
Com uma equipe forte formada por jogadores vindos de todo o Brasil, o Leão do Sul iniciou em Ipameri a saga rumo à vitória, tendo a frente a batuta do prefeito Adib Elias, um doa maiores torcedores da equipe. O primeiro embate foi com foi o Novo Horizonte, na casa do adversário, estádio Durval Ferreira Franco. O resultado foi Novo Horizonte 1 x 2 CRAC.
A semi final
O jogo aconteceu no Serra Dourada. Colorido de azul e branco o estádio da capital foi palco de um espetáculo. No tempo normal o Leão perdeu, mas nas penalidades máximas o goleiro Helder fechou o gol e o catalano vibrou e comemorou.
A grande Final
O torcedor amanheceu uniformizado. Camiseta, boton, faixa, bandeira e tudo mais que tira direito nas cores azul e branco. O domingo (18 de abril de 2004), que começava em clima de alegria terminaria ainda mais alegre.
Além da final ser disputada por um time que não era da capital, o fato inédito da partida acontecer num estádio interiorano tornava o momento ainda mais especial. O espetáculo foi digno de ser mostrado para o Brasil através de emissoras de televisão. A cidade toda pode acompanhar o jogo transmitido ao vivo. Cada lance, cada emoção foi merecidamente comemorada por famílias e torcedores de coração.
A torcida teve papel de honra na conquista do goianão. Sempre presente nas partidas desde o início da competição o torcedor deu show, mesmo nas apresentações fora de casa, ocupando o difícil cargo de 12° jogador.
A equipe que entrou em campo era formada por Helder, Baiano, Cristiano, Cleiton Mineiro e Marcinho (Cleiton Goiano); Pedrinho, Celinho, Cacá e Guarú; Sandro Oliveira e Sandro Goiano. O técnico Wanderley Paiva estava a frente do CRAC. Já o Vila Nova vinha com Kiko, Bosco, Willians, Higor (Jacques) e Michael; Fábio Bahia, Heleno, Evandro e Robson (Luciano); Wando e Mendes. O técnico era Evair.
O árbitro que apitou o jogo foi Cleiber Elias, assistido por Gesmar Miranda e José Bonfim. Mais de 12 mil pagantes estiveram no Genervino para acompanhar de perto a partida e estima-se que cerca de 50 mil assistiram viram o jogo através das transmissões de televisão. A renda arrecadada no dia foi de R$ 82.000,00. No tempo normal, Sandro Oliveira marcou gol aos 55 segundos do 1° tempo, Celinho aos 7 e Guarú aos 40 minutos do 2° tempo. Houve expulsão de Willians aos 42 minutos do 2° tempo. Nos pênaltis, CRAC 5 x 4 Vila Nova. O resultado arrancou o grito reprimido pelo torcedor por 37 anos.
Campanha de 2004 Novo Horizonte 1 x 2 CRAC CRAC 3 x 1 Anapolina CRAC 0 x 2 Jataiense Itumbiara 0 x 1 CRAC Grêmio 1 x 2 CRAC CRAC 3 x 0 Goiás Goiás 1 x 0 CRAC CRAC 0 x 1 Grêmio CRAC 1 x 0 Itumbiara Jataiense 2 x 2 CRAC Anapolina 1 x 2 CRAC CRAC 4 x 1 Novo Horizonte Vila Nova 1 x 0 CRAC CRAC 5 x 2 Real Rio Verdense 1 x 1 CRAC Goiatuba 1 x 4 CRAC CRAC 3 x 1 Anápolis
SEMI-FINAIS CRAC 3 x 0 Goiás Goiás 2 x 0 CRAC Pênaltis – Goiás 2 x 4 CRAC
FINAIS Vila Nova 2 x 1 CRAC CRAC 3 x 0 Vila Nova Pênaltis – CRAC 5 x 4 Vila Nova
Os jogadores que compunham a equipe na época eram:
Goleiros: Helder Vieira Cavalcante Valdenir R. da Silva – Denis César Augusto Fossá
Defensores: Clodoveu Almeida Júnior – Alemão Pedro Rogério Lopes – Pedrinho Cristiano Pinheiro da Silva Rodrigo Frank Pereira Márcio Luís de Souza – Marcinho Wesley Carlos Pereira Cícero Vitor dos Santos Júnior Cleiton Aparecido Alves Júnior – Cleiton Mineiro
Meio campo: Rodrigo das Neves Freitas – Guarú Laércio Alves Santos – Baiano Michel Jefferson Nascimento Israel da Costa Luz - Kanela Flávio Marcelo Valentim – Celinho Jayme Gomes Júnior
Atacantes: Sandro da Cunha Carneiro – Sandro Goiano Carlos Eurídes Donizete – Cacá Sandro T. Oliveira Cláudio de Souza Martins Wander Kempes Oliveira Cleiton Oliveira Pinto
A comissão técnica era composta por: Técnico: Wanderley Paiva Monteiro Auxiliar Técnico: João Batista Silva Preparador Físico: Luíz Roberto Fernandes (Pezão) Treinador de Goleiros: Vacil Batista Souza Roupeiro: Rodrigo Lima Ribeiro Auxiliar de roupeiro: Marcelo Henrique Barbosa Departamento médico: Dr. Helbio Pereira, Dr. Rodrigo e Gabriel Pedro da Silva Massagista: Divino Eterno Moraes (Meinha)
 Da esquerda p/ a direita: Jamil Sebba, Luiz Sampaio, João Adão, Gabriel Nino, Divano Sampaio, Nego Lourenço, Talles Campos, Filogônio, Weber Campos, Manoelzinho, Frutuoso e Leandro. Agachados: Moedson e Waldemar Ferrugen
 Jogadores que participaram da campanha de 1967
 Os domingos catalanos sempre foram do Leão do Sul
Imagens da conquista de 2004
 Nada é tão vivo na memória dos torcedores quanto a final de 2004
 Os jogadores passearam no carro do Corpo de Bombeiros pelas principais ruas da cidade Foto: Stúdio S
 A população acompanhou eufórica o trajéto dos campeões Foto: Stúdio S
 A cidade ficou emocionada e comemorou com clásse Foto: Stúdio S
 O presidente de honra do CRAC, Adib Elias, também foi homenageado pela torcida, já que ele foi um dos principais responsáveis pelo incentivo à equipe Foto: Stúdio S
 O policiamento no estádio foi fortemente reforçado, contudo, os torcedores deram um show de bom comportamento e apoio Foto: Stúdio S
 A torcidá aguarda anciosa um novo título Foto: Stúdio S
Fonte: www.cracnet.com.br Revisão: Angell Lima Agradecimento: Pidím Jr |