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CRAC: a maior paixão dos catalanos
25/09/2007 / 10:41

Confira a história de uma das maiores paixões catalanas: o Clube Recreativo e Atlético Catalano – CRAC

 
Acredita-se que a paixão catalana pela equipe de futebol da cidade surgiu com as acirradas disputas entre o time do Senac, que mais tarde veio se chamar Catalão F.C e o CRAC. Em1959 foi inaugurado o estádio Genervino Evangelista da Fonseca as partidas ficaram ainda mais interessantes. A cidade se dividia entre estas duas equipes e a transformava numa paixão fervorosa nos dias que antecediam os famosos jogos entre Catalão F.C e CRAC.

 

O CRAC foi oficialmente fundado em 13 de julho de 1931 para representar o município nas competições esportivas regional, estadual e nacional. No início disputava apenas torneios da cidade e alguns regionais, principalmente envolvendo as cidades de Araguari, Uberlândia e Uberaba. Em 1965 foi campeão da Segunda Divisão, invicto, com a seguinte formação: Nego, Pereco, Lázaro, Luiz Carlos, Silvio Salomão, Macaúba, Edir, Dezoito, Zé Tavares, Hosana e Zinho. O técnico era o Marambaia.

 

Para manter este time profissional a diretoria pedia auxílio à comunidade. Algo muito difícil na época, pois a cidade ainda não tinha a paixão fortalecida. Criaram uma loteria (semelhante a esportiva) com 5 jogos e quem fizesse mais pontos passava na “Construtora” do diretor Osires Pimentel Ulhôa e levava para casa o prêmio.

Algumas histórias são contadas pelos mais antigos, como a de que o time de 1965 era tão bom que na preleção, o técnico Marambaia não passava orientação técnica alguma, apenas dizia: “Meninos, hoje o jogo é duro. Nossa Senhora Aparecida que os proteja. Vamos lá!!!”

 

Ou como dizia o ex-auxiliar da tesouraria, João Cardoso de Carvalho, que chegava até o Hotel Matriz, na Praça da Velha Matriz, bem cedinho, no domingo, dia do jogo, para conversar com o árbitro, pedindo que ele fosse imparcial. Mas, que poderia ser parcial se quisesse: “Os mais bravos eram os mais baratos”, dizia João Cardoso.

 

Em 1967, dois anos após entrar na divisão de elite goiana e um ano após o primeiro título do Goiás EC, o CRAC sagrou-se campeão goiano da primeira divisão.

Foi no dia 25 de novembro de 1967 em pleno estádio Antônio Accioly. Um sábado à tarde, com a maior renda já vista até então num jogo de futebol no estado de Goiás. A diretoria do CRAC tentou de toda maneira transferir o jogo para o Estádio Olímpico, mas o Atlético não aceitou. O CRAC entrou em campo e venceu com Nego, Silvio Salomão, Gato, Dema e Luiz Carlos. Lázaro e Dezoite. Claudinho, Toró, Toninho Índio e Wagner. Além desses atletas, outros como: Recife e Bira tiveram boas atuações.

 

O gol foi marcado pelo ponta esquerda Wagner aos 18 minutos. Daí pra frente houve muita pressão do time Atleticano, mas o Leão do Sul manteve o placar. A equipe era comandada pelo técnico  Odair Tito. O time campeão de 1965 (Segunda Divisão) e o de 1967 (Primeira Divisão) foi praticamente mantido durante 5 anos.

 

Um acontecimento marcante se deu num jogo entre CRAC 1 x 0 Atlético Goianiense (Campeonato de 1968), quando o juiz da partida autorizou a saída de bola e o atleta Claudão (Cláudio Vitor) chutou diretamente ao gol, fazendo talvez (naquela época não havia filmagens para poder cronometrar corretamente o lance) o gol mais rápido do mundo. O goleiro do Atlético estava fazendo aquecimento na linha da grande área e não deu tempo de voltar para a meta. Foram apenas 2 toques e na súmula, o tempo de 6 segundos. Acredita-se, pelas dimensões do “Genervino” e pela rapidez, que o tempo gasto seria de no máximo 6 segundos.

 

Foram 18 jogos, sendo 9 vitórias, 6 empates e apenas 3 derrotas. Toninho Índio foi artilheiro do campeonato no ano de 1967 com 17 gols.
Terminado o jogo a cidade de Catalão ficou toda empolgada. As pessoas se abraçavam, corriam pelas ruas e quando finalmente a equipe campeã chegou à cidade houve uma comemoração tão vibrante como nunca se viu até então. Nem mesmo o famoso torcedor atleticano “respeita as cores vagabundo”, conseguiu segurar a força do CRAC em pleno estádio Antônio Accioly

 

Campanha de 1967

1° Turno
09/08/67 (fora) CRAC 3 x 0 Ipiranga
13/08/67 (casa) CRAC 1 x 1 Vila Nova
20/08/67 (casa) CRAC 4 x 1 Atlético
27/08/67 (casa) CRAC 1 x 1 Goiânia
02/09/67 (fora) CRAC 1 x 1 Inhumas
06/09/67 (fora) CRAC 0 x 0 Goiás
09/09/67 (fora) CRAC 1 x 2 Anápolis
23/09/67 (fora) CRAC 2 x 1 Ceres
01/10/67 (casa) CRAC 2 x 1 Anapolina

2° Turno
08/10/67 (casa) CRAC 2 x 1 Inhumas
11/10/67 (casa) CRAC 1 x 0 Anapolina
15/10/67 (casa) CRAC 1 x 0 Ipiranga
22/10/67 (casa) CRAC 0 x 0 Ceres
29/10/67 (fora) CRAC 1 x 0 Vila Nova
05/11/67 (fora) CRAC 1 x 1 Goiás
12/11/67 (fora) CRAC 1 x 2 Goiânia
19/11/67 (casa) CRAC 1 x 2 Anápolis
25/11/67 (fora) CRAC 1 x 0 Atlético

 

O CRAC foi campeão da 2ª Divisão nos anos de 1965, 1986, 2001, 2003 e vice-campeão em 1969 e 1997.

 

2004: CRAC - Bicampeão Goiano

Muitos eventos foram registrados para o Leão do Sul ao longo de sua história, contudo, nada foi tão marcante para os torcedores quanto o Bicampeonato conquistado em 2004. Determinação, planejamento e organização foram características marcantes do trabalho feito pela diretoria, comissão técnica e jogadores, culminando na conquista do título mais querido pelos torcedores.

 

Com uma equipe forte formada por jogadores vindos de todo o Brasil, o Leão do Sul iniciou em Ipameri a saga rumo à vitória, tendo a frente a batuta do prefeito Adib Elias, um doa maiores torcedores da equipe. O primeiro embate foi com foi o Novo Horizonte, na casa do adversário, estádio Durval Ferreira Franco. O resultado foi Novo Horizonte 1 x 2 CRAC.

A semi final

 

O jogo aconteceu no Serra Dourada. Colorido de azul e branco o estádio da capital foi palco de um espetáculo. No tempo normal o Leão perdeu, mas nas penalidades máximas o goleiro Helder fechou o gol e o catalano vibrou e comemorou.

 

A grande Final                                       
 

O torcedor amanheceu uniformizado. Camiseta, boton, faixa, bandeira e tudo mais que tira direito nas cores azul e branco. O domingo (18 de abril de 2004), que começava em clima de alegria terminaria ainda mais alegre.

 

Além da final ser disputada por um time que não era da capital, o fato inédito da partida acontecer num estádio interiorano tornava o momento ainda mais especial. O espetáculo foi digno de ser mostrado para o Brasil através de emissoras de televisão. A cidade toda pode acompanhar o jogo transmitido ao vivo. Cada lance, cada emoção foi merecidamente comemorada por famílias e torcedores de coração.

 

A torcida teve papel de honra na conquista do goianão. Sempre presente nas partidas desde o início da competição o torcedor deu show, mesmo nas apresentações fora de casa, ocupando o difícil cargo de 12° jogador.

 

A equipe que entrou em campo era formada por Helder, Baiano, Cristiano, Cleiton Mineiro e Marcinho (Cleiton Goiano); Pedrinho, Celinho, Cacá e Guarú; Sandro Oliveira e Sandro Goiano. O técnico Wanderley Paiva estava a frente do CRAC.
Já o Vila Nova vinha com Kiko, Bosco, Willians, Higor (Jacques) e Michael; Fábio Bahia, Heleno, Evandro e Robson (Luciano); Wando e Mendes. O técnico era Evair.

O árbitro que apitou o jogo foi Cleiber Elias, assistido por Gesmar Miranda e José Bonfim. Mais de 12 mil pagantes estiveram no Genervino para acompanhar de perto a partida e estima-se que cerca de 50 mil assistiram viram o jogo através das transmissões de televisão. A renda arrecadada no dia foi de R$ 82.000,00. No tempo normal, Sandro Oliveira marcou gol aos 55 segundos do 1° tempo, Celinho aos 7 e Guarú aos 40 minutos do 2° tempo. Houve expulsão de Willians aos 42 minutos do 2° tempo. Nos pênaltis, CRAC 5 x 4 Vila Nova. O resultado arrancou o grito reprimido pelo torcedor por 37 anos.

 

Campanha de 2004
Novo Horizonte 1 x 2 CRAC
CRAC 3 x 1 Anapolina
CRAC 0 x 2 Jataiense
Itumbiara 0 x 1 CRAC
Grêmio 1 x 2 CRAC
CRAC 3 x 0 Goiás
Goiás 1 x 0 CRAC
CRAC 0 x 1 Grêmio
CRAC 1 x 0 Itumbiara
Jataiense 2 x 2 CRAC
Anapolina 1 x 2 CRAC
CRAC 4 x 1 Novo Horizonte
Vila Nova 1 x 0 CRAC
CRAC 5 x 2 Real
Rio Verdense 1 x 1 CRAC
Goiatuba 1 x 4 CRAC
CRAC 3 x 1 Anápolis


SEMI-FINAIS
CRAC 3 x 0 Goiás
Goiás 2 x 0 CRAC
Pênaltis – Goiás 2 x 4 CRAC

FINAIS
Vila Nova 2 x 1 CRAC
CRAC 3 x 0 Vila Nova
Pênaltis – CRAC 5 x 4 Vila Nova

Os jogadores que compunham a equipe na época eram:

Goleiros:
Helder Vieira Cavalcante
Valdenir R. da Silva – Denis
César Augusto Fossá

Defensores:
Clodoveu Almeida Júnior – Alemão
Pedro Rogério Lopes – Pedrinho
Cristiano Pinheiro da Silva
Rodrigo Frank Pereira
Márcio Luís de Souza – Marcinho
Wesley Carlos Pereira
Cícero Vitor dos Santos Júnior
Cleiton Aparecido Alves Júnior – Cleiton Mineiro

Meio campo:
Rodrigo das Neves Freitas – Guarú
Laércio Alves Santos – Baiano
Michel Jefferson Nascimento
Israel da Costa Luz - Kanela
Flávio Marcelo Valentim – Celinho
Jayme Gomes Júnior

Atacantes:
Sandro da Cunha Carneiro – Sandro Goiano
Carlos Eurídes Donizete – Cacá
Sandro T. Oliveira
Cláudio de Souza Martins
Wander Kempes Oliveira
Cleiton Oliveira Pinto

A comissão técnica era composta por:
Técnico: Wanderley Paiva Monteiro
Auxiliar Técnico: João Batista Silva
Preparador Físico: Luíz Roberto Fernandes (Pezão)
Treinador de Goleiros: Vacil Batista Souza
Roupeiro: Rodrigo Lima Ribeiro
Auxiliar de roupeiro: Marcelo Henrique Barbosa
Departamento médico: Dr. Helbio Pereira, Dr. Rodrigo e Gabriel Pedro da Silva
Massagista: Divino Eterno Moraes (Meinha)


Da esquerda p/ a direita: Jamil Sebba, Luiz Sampaio, João Adão, Gabriel Nino, Divano Sampaio, Nego Lourenço, Talles Campos, Filogônio, Weber Campos, Manoelzinho, Frutuoso e Leandro. Agachados: Moedson e Waldemar Ferrugen


Jogadores que participaram da campanha de 1967

Os domingos catalanos sempre foram do Leão do Sul


Imagens da conquista de 2004

Nada é tão vivo na memória dos torcedores quanto a final de 2004


Os jogadores passearam no carro do Corpo de Bombeiros pelas principais ruas da cidade
Foto: Stúdio S


A população acompanhou eufórica o trajéto dos campeões
Foto: Stúdio S


A cidade ficou emocionada e comemorou com clásse
Foto: Stúdio S


O presidente de honra do CRAC, Adib Elias, também foi homenageado pela torcida, já que ele foi um dos principais responsáveis pelo incentivo à equipe
Foto: Stúdio S


O policiamento no estádio foi fortemente reforçado, contudo, os torcedores deram um show de bom comportamento e apoio
Foto: Stúdio S


A torcidá aguarda anciosa um novo título
Foto: Stúdio S


Fonte: www.cracnet.com.br
Revisão: Angell Lima

Agradecimento: Pidím Jr

Escrito por: catalaoemhistoria às 10:41

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